Ser ansiosa me faz ver um futuro que nem sempre (leia-se nunca) se materializa. A tal expectativa.
A gravidez, que me despedi em 16 de setembro, me fez enxergar isto de uma forma mais concisa.
Desde que me descobri grávida uma onda de sensações estranhas tomaram conta de mim. Um misto de felicidade, por me descobrir grávida, e de inquietude, por não gostar do estar grávida.
E ao longo de 9 meses estas duas sensações foram oscilando, em um balanço que ora subia, ora descia.
Lembro-me que contava as datas, ansiosa pela chegada do tão esperado nascimento. Neste parto eu me despediria do meu estado gravídico que tanto me incomodava, e conheceria meu novo bebê - o que fazia tudo valer a pena.
Ao final da gravidez, apesar de todo o peso, do mundo que eu carregava em meus quadris, eu quis a barriga e comecei a aceitá-la. Mas o tempo correu e tão rápido quanto um relâmpago, Gregório nasceu, uma madrugada de domingo, de forma humana, porém rápida.
Não tive tempo de me despedir da minha barriga. E isto me frustrou. Foi ainda mais frustrante acordar e não senti-la, não ter um bebê alí dentro e já estar com ele nos braços.
De acordo com a minha psicóloga, viver algo de forma superficial e não adentrar as suas maravilhas causa esta nostalgia chata. A minha ansiedade me fez querer um futuro próximo, um futuro que nem demoraria tanto a chegar, bastava deixar que ele corresse seu curso natural. A ânsia em tê-lo tão logo, não me fez curtir o presente e deixou em mim uma peça mal encaixada.
Escrevo isto para que consiga ver que só os momentos bem vividos valem a pena, eles se vão mas não sem deixar uma saudade gostosa. Talvez a grande sacada esteja no presente, no agora, o depois não há como se prever.
De tanto desejar o futuro e esquecer do presente, uma hora você acorda e se pega pedindo, bem baixinho, que o futuro demore, que o presente persista e que você possa enxergar esta grande diferença.